terça-feira, junho 06, 2006

Revolta e confusão

"...A Justiça, os advogados, estão todos certos, o que têm de mudar são as leis"(Oswaldo)
"Sabe quem paga a conta dos corruptos, malandro? Eu e você (...)Sustentamos a corja de espertalhões que se ufana de burlar a lei" (de "quem paga a conta é você")
"As pessoas são julgadas conforme seu saldo bancário..." (Mel)
"Advogado estuda para burlar a lei (...) Alguém conhece um honesto?(..) Deve estar falido" (de "alguém conhece um advogado honesto?")
"É só o presidente Lula mandar prender, que essa situação se resolve (...)" (De vários comentários)

São opiniões colhidas ao acaso na Internet, a respeito do adiamento do julgamento de Suzane von Richthofen. E que demonstram que além de indignação e mágoa do brasileiro quanto ao sistema penal, há muita confusão!

Confusão por que? Por responsabilidade do próprio sistema! Existe uma espécie de "capa protetora" nos mecanismos da Justiça, onde o Judiciário ganha um ar de divindade acima do comum dos mortais, quando na verdade é o mecanismo mais poderoso de defesa da própria sociedade.

Que não consegue entende-lo!

Qual a garantia de eficiência em um sistema que não é compreendido por aqueles que o regem?

Há uma diferença entre Leis, a partir da nossa Constituição, que rege todas as demais, e sistema judiciário. Leis são soberanas, sistemas envolvem a prática de um objetivo. Ou seja, devem ser observados e vigiados pela comunidade e sua eficácia exigida pela sociedade.
Esse distanciamento entre o Poder Judiciário e a comunidade, causa as grandes disfunções na nossa Justiça. É o caso também do Poder Legislativo, que deveria dar satisfação de suas ações de maneira mais eficiente.

É claro que nem todo cidadão reúne embasamento de conhecimento para discutir leis e estruturas do judiciário. Mas isso não significa que a sociedade deve abster-se (ou ser abstraída) de ter acesso ao trabalho que é desenvolvido pelos nossos representantes no Judiciário.
Observando as opiniões da população, encontramos uma grande distância entre a realidade e a expectativa popular.

Não, nem sempre os advogados estão certos e as leis devem ser mudadas. A ação dos profissionais não é necessáriamente a defesa da Justiça, mas a representação do cliente. Em um momento onde os valores sociais estão no ralo, é óbvio que há exageros e atentados contra a ética, que tenta equilibrar essa realidade.

A revolta em relação às falhas de nossa Justiça traz comentários injustos, que mais se assemelham a desabafos, marcados pelo receio de identificação.

O saldo bancário, em um sistema capitalista, de fato ajuda. A contratação de boas defesas também implica em gastos. Mas esse é um defeito do sistema e não dos nossos Tribunais.

Dizer que os advogados são desonestos, é desmerecer a sociedade inteira. Em todos os setores existem profissionais desonestos e a falta de preparo e a corrupção crescente pode levar a um aumento de advogados que se tornam marginais. Mas a fiscalização para evitar que isso aconteça existe, principalmente através da OAB, que luta para manter a profissão dentro dos parâmetros da ética.

Por fim, o presidente da República não tem que prender ninguém, muito menos Suzane e os irmãos Cravinhos, quando existe respeito à lei e à ordem. Essa responsabilidade cabe ao Judiciário.

2 comentários:

  1. Mirna

    Um monstro travestido de moça planeja o assassinato dos pais e, está em liberdade! E tem gente ve vai presa por causa de um pote de margarina(http://profcorelio.blogspot.com/2006/03/pega-ladro.htm). No Brasil tem muita injustiça e discriminação. Só no aqui mesmo!!!
    "Notou que hoje é 06/06/06?

    Um abraço

    Marco Aurélio

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  2. Oi Marco:

    É verdade que a situação está ficando complicada, não sõ aqui, mas no mundo todo. Mas ao mesmo tempo a consciência também está crescendo, não é? Sim, eu notei a coincidência (ou nem tanto)da data.
    Gostei muito do seu blog!

    Um abraço

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