quarta-feira, outubro 11, 2017

A ARTE, A NUDEZ E A HIPOCRISIA


A grande discussão nas redes sociais que teve como ponto de partida o oportunismo político de um grupo denominado MBL (Movimento Brasil Livre) que defende ideias de direita e extrema direita, colocou em evidência dois importantes desafios da atualidade: o conceito de arte e sua limitação e a falta de maturidade e bom senso da sociedade em lidar com uma grave agressão à criança: a pedofilia.
O que museus e exposições de arte tem a ver com pedofilia? Nada obviamente!
A arte também funciona como crítica do meio. Não tem poder de deflagrar comportamentos criminosos.
O objeto da balbúrdia foi uma performance da obra "Bichos", apresentada em uma única sessão no MAM, Museu de Arte Moderna de São Paulo, onde um artista apresentava-se despido. A nudez, em ambiente separado e onde apenas entrava e compartilhava da apresentação pessoas que sabiam de seu conteúdo, não tinha qualquer objetivo erótico. Muito pelo contrário. Como a interação era permitida, justamente como forma de derrubar preconceitos contra o corpo, sem conotação sexual, algumas crianças que estavam acompanhadas de seus pais, interagiram com o artista.
Foi o suficiente para que políticos evangélicos e esse grupo MBL atacassem furiosamente o museu, esbravejando a "imoralidade" e o "estímulo à pedofilia" na apresentação de um corpo nú masculino.
Esse tipo de reação é preocupante, porque não ajuda em nada as distorções, muito pelo contrário. O que é que combatemos? A anatomia humana ou a doença e a criminalidade sexual?
O direito das crianças está entre quatro paredes, onde a sua inocência fica confusa diante da brutalidade da pedofiia, que acontece em mansões ou casebres de papelão, e da exploração sexual quando vivem em ambientes miseráveis e são jogadas à rua para prostituição.
Outros museus, principalmente europeus, estão sendo pressionados por essa nova mentalidade reacionária, que estimula o uso de armas e violência, mas condena a crítica aos costumes e a liberdade de conhecer e debater tabus.
Obras de arte, seja em murais ou telas da antiguidade, sempre retrataram a nudez, natural em todos os animais e em muitas culturas.
O nú na arte sempre teve uma conotação de expandir a liberdade individual, em meio a culturas extremamente hipócritas, onde o corpo coberto estimula imaginação sexual e não impede estupros e abusos.
A ignorância dos riscos que uma criança sofre com artifícios de criminosos pedófilos, que raramente são descobertos, é um agravante para alimentar o crime. Imaginar que uma criança que não é alertada sobre esses riscos, entendendo a diferença entre a mera nudez e o perigo do abuso sexual, esteja "preservada", é algo irreal e perigoso!
O apelo à sexualidade hoje é impossível de ser controlado. Está em todos os lugares. Não é a nudez, mas o apelo sexual e a sensualidades excessiva que acabam sendo interpretados da pior forma possível pelas crianças mantidas na ignorância das funções do corpo.
O risco não está em museus. Está nas novelas de tv, nos bailes funk e nas musicas de baixa qualidade e alto consumo e até nos desenhos infantis, de maneira subliminar ou nem tanto.
Centrar a "cruzada purificadora" em museus não resolve nada. Muito pelo contrário, perpetua a exploração da criança sem testemunhas.
De maneira hipócrita e escondida. Faz de conta que o corpo não existe e que os crimes contra a criança são ficção!
Assim desejam aqueles que cometem o crime de pedofilia ou exploram sexualmente crianças: que toda a sociedade finja que isso não existe!

sábado, junho 03, 2017

ESQUERDA É O QUE?

"(...) Acho confuso esse negócio de esquerda (...) parece mão esquerda que não faz nada direito (...) (Patrícia V.A) 

"Eu não gosto nem de esquerda, nem de direita, cambada de aproveitadores (...) " (Guilherme C)



No palanque improvisado sobre um caminhão, a pessoa, em meio ao grupo que se espremia na carroceria, de microfone em punho, berrava aflito que "as elites não iriam impedir a classe trabalhadora de revolucionar este país" e abertamente reforçava o discurso de "elite x povo".
Esquerda é isso?
É essa a confusão do brasileiro (e de cidadãos do mundo todo) quando se fala em política e resume-se à questão dos conflitos em duas metades: direita e esquerda!
Será assim tão simples?
"Esquerda e direita" ajudou a definir a luta da população na Revolução francesa, no finzinho do século 18, quando a situação ficava à direita e os insatisfeitos à esquerda do presidente no parlamento. Ou seja, foi casual, mas marcou a referência: aqueles que desejavam manter uma política basicamente voltada para o capital, pragmática e seletiva e aqueles que não aceitavam essa condição rebaixamento social, reivindicando maior justiça social, equiparando as condições de sobrevivência de todos os cidadãos.
O que aconteceu ao longo do tempo?
A simplificação da política não foi bem sucedida. Houve subdivisões da ideia "direita, esquerda" e surgiram na Europa as variações que buscavam uma realidade prática da política.
A esquerda, assim como a direita, tem seus extremos e portanto houve necessidade de nominar as caracteristicas dos movimentos políticos. Extrema esquerda entre os mais radicais, que defendiam o comunismo e o trotskismo  (nivelamento da sociedade).
Centro-esquerda os grupos que defendiam o socialismo-democrático, progressistas e social-democratas (e ambientalistas, humanistas). Nesse caso não há rejeição ao capital e aos recursos econômicos, mas também não se exclui os direitos humanos básicos.
Já a direita também pode ser dividida entre radicais (com politicas que chegam ao fascismo ou nacional socialismo), conservadores que privilegiam o pragmatismo e o capital em detrimento das condições da massa, se assim for preciso, ou democratas cristãos, que são conservadores em assuntos sociais. Em outras palavras, não consideram as necessidades sociais uma prioridade, se elas vierem a modificar a prática do capital.

A interpretação de que "esquerda" é comunismo é um equívoco alimentado pela "direita", que explorou o receio da massa em perder bens e liberdade com "essa ameaça". O comunismo é apenas uma ideologia de esquerda, baseado na teoria da igualdade, que dificilmente conseguiu ser aplicada.
A predominância da esquerda  é a democracia baseada na redução da pobreza e na abertura  de condições de sobrevivência dignas, com acesso à educação e saúde. Não pretende nivelar a sociedade, mas evitar desajustes que levem ao desequilíbrio nocivo do meio.

Por esse motivo aa pessoas ficam confusas e interpretam a esquerda como "comunismo" ou anti-democracia, o que não tem fundamento algum. A esquerda radical acaba prejudicando os movimentos de esquerda que tentam reabilitar a democracia e preservar os direitos. São ferozes em suas críticas aos acordos com conservadores em governos democráticos, considerando a necessidade de  "acabar" com os moldes das politicas econômicas, ao invés de encontrar novos parâmetros de convivência entre as necessidades do capital e a dignidade humana.

E assim como os radicais de direita, os radicais  de esquerda tem um ponto comum: reforçam a ideia de luta de classes e a existência de uma "raça superior" traduzida na palavra "elite".

Elite, na verdade, ´traduz o que é mais valorizado. Ora, usar esse termo em um momento de confusão da informação, como este que vivemos, acaba reforçando também a ideia de fragilidade popular, diante de "semideuses" valorizados. Quem apoia fracassados? Ora, as classes que tentam subir economicamente acabam aderindo à essa falsa ideia de "superioridade" social e acabam apoiando ideias de radicais de direita ou direita conservadora, por mera ilusão, voltando-se contra a "esquerda" que seria "dos pobres".

O termo "elite e plebe" portanto, é uma arma contra a democracia de fato, usada pelos extremistas de direita e de esquerda. Prejudica a esquerda que busca o equilibrio através da democracia, discutindo a miséria e as políticas econômicas de maneira mais realista e produtiva para todos, ricos, remediados ou pobres!

 Hoje não temos nobreza. Apenas pobreza. Esse tipo de discurso de classes fortalece setores conservadores e ratifica a sensação de fragilidade da sociedade. Aí temos este quadro: de um lado os grupos que têm poder econômico (e portanto político). De outro os grupos sociais e politicos que misturam teorias de esquerda radicais e pouco funcionais (não há muito espaço para defesa de divisão equitativa entre os cidadão do mundo) e aqueles que de fato defendem a democracia plena, buscando um equilibrio das realidades. E no meio temos a imensa massa de pessoas que não entende nada e fica balançando entre um e outra influência.

segunda-feira, maio 29, 2017

A CORRUPÇÃO É VELHA, MAS A MENTALIDADE É NOVA


Não se fala em outra coisa em todos os cantos do país: corrupção! Uma realidade que traz revolta e confusão para a maioria.
Os próprios juristas conflitam opiniões a respeito da corrupção, na avaliação do peso da responsabilidade de quem corrompe, de quem é corrompido, ou daqueles que se aproveitam indiretamente da corrupção, omitindo-se à denúncia.
Genericamente, o cidadão resolve fácil essa questão, quando o assunto é corrupção política: "tira esse bando de safados do poder", ou "Sinto dor de barriga quando vejo o quanto um puto desses (sic) custa aos cofres públicos" .
Há ainda aqueles que escrevem nas redes sociais o desabafo de decepções da vida. "São esses caras que acabam com o trabalhador" ou anunciam um futuro sem corruptos: "Vamos acabar com  festa desses caras!"
Em tantas manifestações indignadas ou revoltadas, há um fato incontestável: as pessoas estão direcionando todas as decepções com o sistema, para a corrupção, porque no meio politico e administrativo de um país, esse tipo de crime rebate duras consequências para a sociedade.
Por esse motivo, o desabafo atinge todos os setores  que comandam a vida do cidadão. Todos são corruptos na politica, nos governos municipais, estaduais, na esfera federal, no Congresso Nacional, no sistema Judiciário, nas redes de televisão e grandes jornais e revistas que vendem a distorção da realidade por muito mais do que 40 moedas!
A situação é tão grave que até mesmo operações criadas para combater a corrupção estão sendo acusadas de distorção e de ações corruptas, ao proteger politicamente os mais influentes e os interesses de corporações.
Mas por que isso está acontecendo hoje?
A pergunta se refere à reação popular. Porque a corrupção sempre aconteceu!
Nos velhos tempos, no início da República brasileira, começo do século XX, o país viveu o coronelismo, que no final das contas dominava a politica e a economia de acordo com os seus interesses.
Isso nunca foi segredo. Tanto é que a população falava a rodo no tal "voto de cabresto" que permitia aos grandes latifundiários dominar a politica a partir da área rural, onde a população estava concentrada.
Havia fraudes, barganha, violência e compra de votos.
O problema é que isso continuou décadas e décadas adiante, até os dias de hoje.
Veio a política do "Café com Leite", onde São Paulo e Minas Gerais eram soberanos na eleição de todos os presidente da República, até 1930.
Depois disso houve uma mudança...mas nem tanto.
Com o golpe de 1964 e a ditadura aberta (antes era fechada...), o sistema manteve alta a corrupção, que foi exercida sem freios.
A população sabia que isso acontecia. Mas as denúncias de corrupção eram encaradas com a benevolência da mídia, sustentada por esse esquema.
O "rouba, mas faz ", tornou-se popular, diante das denúncias de superfaturamento de obras generalizado, em municípios, estados e na esfera federal, mas ganhou uma "face", a do governador Paulo Salim Maluf.
A ironia e o sarcasmo dos "eleitos" na época tinha base da certeza da impunidade.
Quem iria mexer no vespeiro da corrupção politica?
Quem iria conseguir apoio e força para aparelhar investigações sérias, quando governos seguidos enfraqueceram a Polícia Federal e fortaleceram as relações comprometidas de um Congresso que perdeu  a principal função de representação de interesse popular, para curvar-se a interêsses privados, através de lobbies poderosos?
O que estamos enfrentando hoje não é maior corrupção política. Muito pelo contrário, é um início de combate à corrupção descarada e enraizada.
Pela primeira vez na história do Brasil, a corrupção está sendo discutida, ao invés de ficar em algum espaço perdido na consciência popular
I

Independente de qualquer ação que o sistema corrompido faça, no sentido de reduzir a caça aos corrompidos ou corruptores, criando inclusive falsas denúncias para encobrir a verdadeira corrupção ou ridicularizando a ação da Policia Federal, uma nova mentalidade popular começou a vencer a antiga inércia sobre crimes políticos.

Estamos evoluindo, afinal!


Veja também: http://leiamirna.blogspot.com.br/2011/03/cerebros-corruptos.html



quarta-feira, maio 10, 2017

APOIO A LULA TERIA BASE NA PARCIALIDADE DE MORO

As redes sociais fervilham, acusando Sergio Moro de ser parcial por razões
políticas, o que explicaria a ausência de provas concretas nas acusações ao
ex-presidente Lula, que foi o único presidente da República que aparelhou
a Policia Federal para combater a corrupção. O ministro Teori Zavascki, do
Supremo Tribunal Federal, morto em 19 de janeiro último, criticou
duramente a maneira de Moro conduzir a investigação contra Lula.
Há duas realidades que se evidenciam no embate do juiz Sergio Moro, de Curitiba, e o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, Lula. A primeira delas é a incansável perseguição da Lava Jato curitibana em busca de provas que o tornem réu; a outra, em oposto, é o surpreendente apoio popular ao ex-presidente, que teria como base principal a inconformação com o que está sendo chamado de "perseguição política".
Para entender essa controvérsia entre o que seria justiça, é preciso avaliar todo o conjunto da problemática brasileira, envolvida em corrupção acentuada a partir da ditadura militar. Nos anos que se seguiram à abertura política, entre o repasse de poder aos militares, as eleições indiretas e por fim a abertura democrática com o retorno do voto popular. 
A democracia do voto, porém, não conseguiu eliminar a corrupção enfronhada no sistema. Tampouco conseguiu evitar os vícios do poder, onde lobbies no Congresso mantinham as necessidades nacionais atreladas a interesses de grupos econômicos ou interesses corporativos.
Além disso, as ações da corrupção ampliaram-se na forma de superfaturamento de obras e serviços, desviando bilhões dos cofres publicos ao longo das décadas de 80 e 90.
As denúncias de corrupção eram engavetadas e esquecidas. 
A relação com a corrupção, um vespeiro que governante algum teve coragem de enfrentar, tornou-se exageradamente "uma fatalidade" a ser tolerada pela população brasileira, que recebeu a ironia que merecia, na mentalidade do "rouba, mas faz" , em alusão ao superfaturamento das grandes obras.
Ao assumir a presidência da República, em janeiro de 2003, Lula tornou-se uma pedra no sapato da politica brasileira, quando começou a tomar medidas de combate a corrupção.
Mexeu no tal "vespeiro".
A primeira reação à esta busca de combate a corrupção, com o governo Lula fortalecendo a autonomia da Polícia Federal, foi uma reação da oposição  com a criação do chamado "mensalâo do PT", A intenção era bastante óbvia:  pretendia atribuir ao partido do presidente da República, que aparelhava o combate à corrupção, a condição de "corrupto", com a manipulação do próprio sistema de propinas, que já existia há décadas.
A estratégia consistiu em "sacrificar"  corruptos reais, como Roberto Jefferson, na época do PTB, que assumiu a denúncia, afirmando indiretamente que começava a "era da corrupção", justamente no primeiro governo disposto a combate-la.
A estratégia, bastante óbvia para o brasileiro, não funcionou. Lula seria reeleito no pleito seguinte, continuando a fortalecer as investigações. E reelegeu em seguida Dilma Rousseff, que também foi vitoriosa nas eleições de 2014, continuando a politica de combate à corrupção.
Mas Dilma Rousseff foi surpreendida por outra estratégia política: um impeachment, que foi baseado em "conjunto da obra", por um Congresso onde a maioria dos parlamentares tem denúncias sérias de corrupção, originadas há décadas.
O embate (assim está sendo chamado até pela própria imprensa) entre Lula e Moro é acusado pela população de ser parte da estratégia politica e não de real combate à corrupção. Não há provas de qualquer corrupção contra o ex-presidente. Moro baseou suas acusações em delações premiadas, que foram contraditórias. 
Também há grande contradição nas acusações da equipe da Lava Jato do Paraná e do procurador  Deltan Dallagnol, que foi publicamente criticado pelo ministro do Supremo Teori Zavascki, morto em um acidente alguns meses depois. 
Teori foi claro, ao alertar a ação de Dallagnol e sua equipe, considerando-a voltada para a "espetacularização", na busca da grande midia para relatos sem provas, baseadas em "achismos". As acusações são feitas em suposições e sem a seriedade exigida em denúncia tão grave.
Moro recebe apoio amplo da grande mídia, como as organizações Globo, que é uma das empresas denunciadas por grande sonegação de impostos.

                                                        EMBATE POLITICO

Aparentemente, o que deveria ser um depoimento comum, se baseado unicamente em razões legais, transformou-se em um grande embate politico. 
Moro recusou a transmissão ao vivo do depoimento, mesmo em meio à denúncias de que o depoimento de Lula seria editado, para ser divulgado pela mídia, também acusada de comprometimento,, como a Globo. 
Moro também antecipou um "ambiente de conturbação", acusando populares de ter a "intenção de depredar" as imediações. Assim proibiu qualquer cidadão de permanecer nas proximidades.
Ao agir assim, o juiz Sergio Moro reforçou a denúncia de parcialidade da Lava Jato de Curitiba, colocando em evidência a possibilidade do julgamento ser exclusivamente politico e reforçando a denúncia de "perseguição a Lula", conforme a opinião das redes.



                                       TÁTICA PARA DESVIAR A ATENÇAO

Outra acusaçâo da população nas redes é o fato do depoimento de LuLa a Sergio Moro ser estrategicamente marcado em data compatível com a tramitação final de um dos projetos mais polêmicos do atual governo, assumido pelo vice do governo Dilma Rousseff, Michel Temer; a votação da reforma na Previdência, completamente repudiada pela população.
Marcar o depoimento de Lula na mesma data esvaziaria manifestações contra a reforma pretendida por Temer. E vice- versa!
A ideia seria "diluir" os protestos, mostrando que a inconformação popular é real e incômoda para o governo, assim como é para a lava jato de Moro.




leia também    https://theintercept.com/2017/05/09/a-degradacao-do-estado-de-direito-por-tras-do-embate-moro-x-lula/



quinta-feira, março 30, 2017

O ADVOGADO E O DOUTOR

Imagine esta cena: em uma Defensoria Pública, a mulher que se identificou como sendo defensora pública responsável pela unidade, recusa o cumprimento de uma pessoa que pedia esclarecimentos sobre falta de informação e, olhando a mão estendida, identifica-se soberbamente: "Eu sou a DOUTORA  fulano de tal".
Isso aconteceu diante de dezenas de testemunhas e engrossa a listagem cada vez mais longa de reclamações contra a Justiça brasileira, que apresenta grave deficiência no atendimento público ou particular e nos resultados dos processos. Para firmar-se em um mero título, essa advogada cometeu um crime de constrangimento moral...em uma instituição pública que existe justamente para punir esse crime também.
Advogado é doutor? 
Por que?
Essa pergunta está sendo cada vez mais repetida e a categoria dos advogados cada vez mais criticada. 
Em 1827, uma lei do Império determinou o título de "doutor" a quem concluísse os recém-criados cursos de Ciências Jurídicas e Sociais e posteriormente fosse reconhecido como "Lentes" de fato, mostrando o domínio do conhecimento e capacidade diferenciada.
Advogados, filósofos, pessoas com "douto saber",  recebiam o reconhecimento pela sua sabedoria, com o titulo de "doutor".
Isso no século 19, onde a sociedade ainda era basicamente separada entre escravos, plebe, comerciantes, grandes fazendeiros, nobres e...doutores. Todos submetidos ao regime imperial.
Estamos no século 21. 
O que temos?

O Brasil forma, por hora, uma dezena de bacharéis de Direito. Por hora! Imagine a quantidade de candidatos ao título de "doutor", que serão "abençoados" pela Ordem dos Advogados no país, que tomou para si a responsabilidade de "filtrar" a maioria de bacharéis, que apesar de formados, nao possuem competência alguma para o exercício da profissão.
Agora vem o mais importante: a OAB  elimina com seu exame de admissão perto de 80% desses bacharéis.
Resolveu o problema de competência?
Não!
O Brasil possui um milhão de advogados que se acham no direito de ser chamados de "doutor", sem que tenham de fato um doutorado pelo menos, mas que desesperam a população quando ela necessita de um bom defensor que obtenha justiça.
É, não existem mais os "Lentes" do século 19, que eram admirados pela sua sabedoria, em vários campos de trabalho, inclusive na Justiça.
O título de "doutor" para advogados é um absurdo nos dias de hoje, se considerarmos a prática atual da advocacia. Serve apenas para respaldar o ego de milhares de profissionais que não cumprem com o papel principal de um defensor, manchando uma categoria de trabalho fundamental para a sobrevivência da sociedade.
Quantos clientes procuram diariamente os Conselhos de Ética da OAB no país?
Quantos são vítimas e não conseguem um atendimento nesses conselhos?
Quantos deixam de registrar suas queixas de advogados que são ignorantes da própria função, que abusam de seus clientes com informações falsas, que não trabalham nas causas e apenas jogam processos mal articulados para julgamentos?
Advogados que se aproveitam das procurações, que absurdamente sempre são assinadas com plenos poderes, e  agem criminosamente?
 Ou que se aproveitam da ignorância do cidadão que representam, e fazem artimanhas com os depósitos que são captados em processos ou depositados em suas contas (na conta bancária do advogado), para repasse posterior, nem sempre suficientemente justificados?
Advogados que entram em acordos secretos com a parte contrária, recebendo propinas em detrimento dos direitos daqueles que representam?
Nesse universo de um milhão de profissionais, podemos garantir que não são poucos. E a OAB não possui mecanismos suficientes para evitar esses estragos.
Doutores ou simplesmente senhores advogados, a verdade é que a categoria está seriamente ameaçada pela contaminação dos maus profissionais.

 E aí vem finalmente a pergunta, centrada na triste figura da defensora pública que se acha superior a qualquer cidadão, com seu título capenga: a OAB que insiste em admitir o tratamento de "doutor" a advogados está impedindo a sociedade de conhecer quem é que tem de fato talento e força moral para exercer a profissão e quem é que quer apenas apoiar-se em um título, seja pela fraqueza moral, seja por intenções pouco nobres

leia também http://leiamirna.blogspot.com.br/2012/03/posso-processar-o-advogado.html

quarta-feira, março 08, 2017

ALTOS LUCROS PARA CONCESSIONARIAS

A energia elétrica vai ficar mais cara, em altos percentuais. O atual governo culpa medidas anteriores, que baratearam o custo da energia.

 As concessionárias no entanto, festejam o retorno de altos lucros.
É isso que ocorre no Brasil: a exploração de serviços essenciais não para sua manutenção, mas sim como comércio extremamente lucrativo, o que contraria os princípios da exploração desses setores fundamentais.

 A energia elétrica, indispensável até o momento para a vida do país, sua economia e sobrevivência do cidadão, é tratada como um mero produto a ser explorado por empresas, ainda que teoricamente essa sede de lucro alto possa ser contida pela própria legislação.

As medidas do atual governo Temer são claramente a favor do lucro das empresas que exploram serviços essenciais, como energia. Mas todo tipo de concessão no Brasil é extraordinariamente mais lucrativo do que em outros países. E nesse balaio podemos colocar vários setores, que vão da energia à concessão de rodovias, das telecomunicações ao sistema de saúde, da exploração de recursos naturais, ao transporte público. da captação e tratamento do lixo e esgoto, à serviços funerários.

O abuso é evidente. O que se quer saber é o seguinte: porque esse abuso acontece?

Não bastam os argumentos de quem explora o setor e dos interesses da concessão. Essa "indenização milionária" que a a Justiça determinou e que vai aumentar extraordinariamente as contas do consumidor brasileiro (não são percentuais iguais e em alguns casos essa indenização não é cabível, ficando em dependência de cada concessionária (são dezenas em todo país) não está bem explicada.

O que se quer saber é o seguinte: uma vez que o investimento da empresa foi completado para produçao e distribuição de energia, qual o limite de sua margem de lucro? Como é o controle, que também observa a lisura da ANEEL, que como toda autarquia vinculada ao governo federal, segue políticas de ação, nem sempre a favor do consumidor.
Enfim, o que seria a margem de lucro na exploração comercial de setores considerados essenciais?

O lucro nos serviços essenciais não pode ultrapassar a razão da subsistência da população e da economia do país.

"A privatização nos anos 90 transferiu 25 empresas de energia elétrica para o setor privado e implementou um sistema tarifário que simula competição, instrumento usado para aumento das tarifas a patamares internacionais. Os setores empresariais que controlam a indústria da eletricidade no Brasil passam a ter lucros extraordinários", denunciou  Gilberto Cervinski, coordenador do MBA, Movimento dos Atingidos pelas Barragens.

Considerar "prejuizo" e aumentar tarifas de maneira tão astronômica em parte das concessões, como vemos agora, é permitir vitória de um cartel na exploração da energia elétrica. O que torna a legalidade dessa vitória das concessionárias que alegam "perdas", bastante questionável, em um momento de graves conflitos com um governo imposto pelo Congresso Nacional.


quarta-feira, fevereiro 22, 2017

SENADO E CÂMARA DESPREZAM OPINIÃO E PETIÇÕES POPULARES

Quando foi anunciada a "sabatina" no Senado, para aprovação do nome de Alexandre de Moraes para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal,  diferentes setores da sociedade brasileira, principalmente juristas, manifestaram-se contra essa aprovação. Mas entre as muitas críticas e denúncias contra  Moraes, uma das questões mais ouvidas e registradas pela imprensa brasileira, fora e dentro da internet, era a que colocava essa "sabatina"como absolutamente ornamental: o Senado tem uma maioria comprometida com o governo Temer, que por sua vez reune partidos que são amplamente citados nas denúncias de corrupção.
O brasileiro percebeu que a vontade popular
não é preocupação do Congresso neste
atual governo, que não abre mão de imposições
"O que está acontecendo com o Brasil? Vivemos uma ditadura?" Frases como esta fervilham nas redes sociais, que tornou-se um ambiente de discussão e debates sobre as questões mais polêmicas, que antigamente ficavam escondidas sob o manto da grande mídia, que consolidou-se a cobrir com o tapete as verdades inconvenientes para seus patrocinadores.
A fúria popular demonstrada em sites como Facebook, Twitter e outros, fundamenta-se no absoluto alheamento da Câmara  Federal, do Senado e do próprio Governo, em relação às críticas, opinião e às exigências da população, que se manifestam cada vez mais através de petições de Ação Popular, que teoricamente teriam o poder de interferir na postura do Congresso.
Teoricamente. 
Porque na realidade, os "ouvidos moucos" de deputados e senadores, tem sido um bofetão na face do brasileiro.
Não é apenas o desprezo pela opinião de juristas de todo país, como no caso da aprovação do nome de Alexandre de Moraes para ministro do Supremo.
Recentemente, irritado com a Justiça que determinou respeito ao projeto de combate à corrupção, que havia sido totalmente desfigurado pelos parlamentares, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, do DEM, declarou que queria a "checagem dos dois milhões de assinaturas"  populares.
Maia, envolvido ele próprio em denúncias de corrupção, conseguiu com esse tipo de atitude rebaixar qualquer brasileiro à condição de "mero espectador" de qualquer ação que um parlamentar decida, seja contrária ou a favor do país!

 "Governo e Congresso parecem

  reduto de reinos e reis, que não

se submetem à vontade popular"



A pergunta é: para que serve um parlamentar?
Hoje o Brasil parece um reduto de reinos e reis, que não se submetem à seus vassalos.
Poderíamos chamar isso de ditadura?
A partir do momento em que a população não tem qualquer poder de decisão ou seu poder de decisão é manipulado e distorcido, a democracia cedeu lugar para uma ditadura. 
Pequenos ditadores, que agem com absoluta certeza da impunidade, revirando as leis e desrespeitando a Constituição, com aval da grande mídia. É essa a interpretação que se tem nas milhares de discussões que acontecem a todo instante nas redes sociais, onde a crítica ao atual governo é inequívoca e crescente, como nunca antes aconteceu com qualquer governo ou história do Legislativo brasileiro.
Nem mesmo na ditadura militar.
Naturalmente há uma minoria de deputados e senadores que agem de maneira ética e clara, reconhecendo que como representantes da população, o seu papel é defender interesses desta população, e não de grupos isolados.
Por esse motivo é importante acompanhar as votações no Congresso e o posicionamento de cada parlamentar diante de assuntos de grande interesse nacional.


Leia também:
http://www.revistaforum.com.br/2017/02/22/a-alegria-de-senadores-envolvidos-na-lava-jato-ao-aprovarem-alexandre-de-moraes-para-o-stf/


As charges que correm na internet:














segunda-feira, fevereiro 20, 2017

TEMER PREPARA VENDA DO PAÍS

Até mesmo areas da Amazônia, objeto de desejo de
grupos estrangeiros, podem entrar em risco no futuro.
O brasileiro pode tornar-se um estrangeiro em sua
própria terra. Exagero? Não. Risco real!
Não se trata de perder a soberania brasileira de sopetão. Mas se o governo atual, através de Michel Temer, cumprir com a ameaça de uma Medida Provisória para regulamentar a venda de terras para estrangeiros, certamente o domínio brasileiro sobre o seu próprio país corre sérios riscos futuros.
Você pode perguntar: mas o fato de um estrangeiro ou empresa de outros paises, digamos, dos EUA, vierem a adquirir terras no Brasil, isso não representaria investimento de capital estrangeiro?
Até certo ponto, o investimento de capital estrangeiro é benvindo, desde que não represente o domínio de setores ou  áreas essenciais a soberania do país.
O argumento de Temer e de seu ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, é frágil, ainda que o tom dessa medida tenha a intenção de convencer a população de que "compensa pela expectativa de volume em investimentos no país".
Terra não é mercadoria. Terra é sobrevivência do país!
Argumentos que tentam provar que haveria "controle
do domínio" são frágeis. Todo investimento de capital
estrangeiro deve acontecer sem riscos à soberania
nacional
Compensa?
Vamos pensar sobre essa questão, a começar por uma realidade insofismável: essa proposta recebe apoio de uma minoria de brasileiros. A contar nos dedos, recebe apoio de parlamentares que são a base politica desse atual  e recente governo Temer, os mesmos que se agruparam para o impeachment da presidente Dilma Rousseff (sem argumento constitucional e baseado apenas em votações no Congresso) e que coincidentemente estão envolvidos em denúncias de corrupção, citados em delações da Lava Jato e outras operações da Polícia Federal.
Do lado de fora desse governo, vamos encontrar opiniões técnicas e políticas que demonstram o risco dessa proposta, para o futuro do país.

   De qualquer maneira, são áreas imensas 
do país nas mãos de interesses externos.

O que significa afinal "vender terras a estrangeiros"?
Significa que grupos estrangeiros poderiam ter controle de propriedades agrícolas extensas, decidindo como explorar essa terra. Mas também determina que um grupo estrangeiro que comprou 100 ou 200 mil hectares de chão brasileiro ( o projeto prevê a venda de até mil km quadrados de área, mais extensa do que muitas cidades brasileiras. Mas o risco de exceções e vendas de áreas ainda maiores é latente), tem a posse desse espaço, que pode ser utilizado como área estratégica que vai além da imaginação agrícola.
De qualquer maneira, são áreas imensas do país nas mãos de interesses externos.
Portanto temos dois grandes riscos, que essa proposta de Temer, apoiada por grupos de parlamentares do PMDB (parcial. Esse partido possui uma minoria de parlamentares independentes), DEM e PSDB,(total) entre outros partidos que dominam o Congresso, tenta colocar em prática: o risco ambientalista e o risco da soberania brasileira, o que está levando à protesto inclusive dos Militares.
A pergunta é: ainda que o Brasil não tivesse enorme potencial para reequilibrar a economia, valeria a pena essa medida?
Não há nada que justifique colocar o país em risco futuro, como pretende essa proposta, que já está nas mãos de relator na Câmara Federal.
O objetivo é votar rapidamente, para que o brasileiro não tenha tempo de raciocinar sobre a questão.
Como declarou Guilherme Delgado, representante da CNBB em discussão sobre a questão, "O projeto vai na contramão dos regimes fundiários instituídos pela Constituição de 1988. Precisamos entender que a terra não é mercadoria, mas um bem intergeracional de uso múltiplo e com função social clara".
De fato, a terra brasileira não é mercadoria, como pretende esse perigoso projeto.

Quer saber mais? Leia sempre várias fontes de informação, antes de definir sua opinião.
Aqui estão algumas publicações imparciais sobre essa grave questão:



http://www.cartacapital.com.br/politica/governo-temer-prepara-mp-para-venda-de-terras-a-estrangeiros

Veja também argumentos em plenário contra essa medida do atual governo:

http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/281084/Requi%C3%A3o-Sinto-horror-e-indigna%C3%A7%C3%A3o-diante-da-venda-de-terras-brasileiras.htm

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/AGROPECUARIA/512537-DEBATEDORES-DIVERGEM-SOBRE-PROJETO-QUE-REGULA-COMPRA-DE-TERRAS-POR-ESTRANGEIROS.html

terça-feira, fevereiro 14, 2017

INVERSÃO NO CRIME DE CORRUPÇÃO

A Lava Jato, perdendo força e credibilidade

Em um discurso cuidadosamente elaborado, o atual presidente da República Michel Temer declarou que qualquer um de seus ministros de Estado poderá ser afastado provisoriamente se for investigado na Lava Jato.  Até mesmo exonerado de seu cargo, caso fique comprovada sua culpabilidade.
Bem...
Grandes palavras. Agradáveis ao ouvido do cidadão, ávido por um país mais equilibrado e limpo, sem a exploração que faz parte de sua história desde as capitanias hereditárias.
Mas aí tem alguma coisa estranha!
Por exemplo, o próprio Temer, que assumiu após a retirada da presidente Dilma Rousseff pelas forças políticas do Congresso, é citado 44 vezes nas delações da Odebrecht, principal alvo da Lava Jato.
Dos 28 ministros colocados por Temer, pelo menos 10 deles são citados por possível corrupção, além de seus três líderes na Câmara Federal e Senado.  Fato que levou à denúncias de que Temer estaria usando os ministérios para fornecer fôro privilegiado aos seus aliados.
Desde o início das investigações da Lava Jato, principalmente da operação comandada pelo juiz Sergio Moro, de Curitiba, provas concretas não são a tônica das investigações. Moro já se indispôs com o próprio Supremo, por suas "táticas investigativas" pouco convencionais, que incluíram inclusive ações coercitivas sem base legal, como no caso da estranha intimação do ex-presidente Lula em pleno aeroporto.

"A conclusão é a seguinte: vivemos tempos 
de inversão de valores e, 
portanto, temos uma interpretação invertida 
do que seria a corrupção 
a ser punida e a categoria de corruptos 
que deve ir ao banco de réus"

Para o juiz Moro, bastam os indícios, como ele próprio declarou. E ele prefere manter em sigilo as delações, como se fosse soberano sobre as decisões e filtragens dessas denúncias.
Se assim é, pelo menos um terço do ministério do atual presidente Temer e outro terço do Congresso Nacional, que tem parlamentares com denúncias gravíssimas e portanto fortes indícios, pertencem à categoria de corruptos até prova contrário, como parece ser a tônica da Lava Jato de Curitiba, que vem apresentado ao país formas inusitadas de prender bandidos corruptos no nosso meio político, ainda que apenas empresários da Odebrecht  tenham sido duramente punidos em suas ações saneadoras da corrupção, além de integrantes do PT.
O discurso de Temer, portanto, com grande intenção de força moralizadora, mas fraco argumento prático, não oferece qualquer garantia de combate à corrupção. Não gera confiança. Mantém no ar as denúncias de que o combate à corrupção não passa de um grande artifício político, que pretendia apenas minar um partido que estava em expansão, em detrimento dos grupos de poder formados pelo PSDB e outros partidos politicos em franca decadência de popularidade.
De qualquer maneira, é preciso lembrar que a Lava Jato é apenas uma operação!
Há corrupção e corruptos por todos os lados, parlamentares ou administradores públicos, que cometeram atos já denunciados e comprovados de ações ilícitas.
A Lava Jato não opera com essa massa de corrupção. É apenas uma pontinha do iceberg de desmandos públicos e graves prejuízos ao país.
A conclusão é a seguinte: vivemos tempos de inversão de valores e, portanto, temos uma interpretação invertida do que seria a corrupção a ser punida e a categoria de corruptos que deve ir ao banco de réus.
Um ineficiente combate à corrupção. A Lava Jato, que tantos politicos querem calar, não pode ser considerada um marco no combate à corrupção. Apenas mais uma tentativa de reduzir a dramática corrupção sistêmica brasileira.

domingo, dezembro 18, 2016

FACEBOOK PODERÁ CONTROLAR USUÁRIOS

O "território livre" da internet, nos sites de relacionamento, começa a ser controlado e em breve poderá limitar a comunicação dos internautas.
Pelo menos é o que está sendo discutido nas redes sociais, onde o sonho de navegar sem limites, entre a liberdade responsável e o abuso do anonimato, vem entrando em conflito com medidas que pretendem garantir segurança, mas que terminam invadindo a privacidade do indivíduo e controlando o conteúdo partilhado nesses espaços.

Uma das novidades é a intenção de um dos maiores sites de relacionamento, o Facebook, de "detectar notícias falsas", adicionando a elas um selo de segurança que vai desestimular a leitura e colocar na "geladeira" (fora da visão no feed) posts considerados maliciosos.

Lamentável! Mesmo porque noticias falsas ou manipuladas não são um artifício encontrado apenas em sites de relacionamento, mas também na mídia que explora rádios, televisão, jornais e revistas.

Por que seria tão dramático para a livre expressão a "detectação de noticias falsas"?

Há dois sérios riscos nessa medida. Primeiro, a interpretação do que seria falso ou impróprio, que fica a cargo de uma misteriosa estratégia do site, onde uma equipe se propõe a rastrear milhares e milhares de postagens que poderiam, em tese, vir de sites maliciosos e espalhar-se na rede como fungos em pão embolorado.

Segundo risco: o uso desse mesmo artifício, para controlar não apenas sites maliciosos, mas qualquer postagem "non grata", ainda que verídica, com qualidade informativa, mas desagradável ao sistema, seja ele do próprio Facebook, seja das pressões exercidas sobre ele.

Em resumo, a pessoa que tem seu perfil no Facebook (e em outros sites de relacionamento, sem grandes exceções) é monitorada não apenas recebendo posts que o sistema do site considera relevante para ela e excluindo outros, sendo bombardeada com anúncios que também são direcionados com base em sua privacidade invadida ( o Facebook  sabe tudo do internauta, assim como o Google e todos os aplicativos que você instala), mas vai ficar sob a tutela do site, que decidirá o que ela pode ver ou publicar.

Em tempos onde o cidadão se considera uma vítima da repressão política, midiática e judiciária, essa ação "colaborativa" de um site de relacionamento como o Facebook é extremamente preocupante e desestimulante para o usuário, que usa esse tipo de recurso justamente para relacionar-se. E relacionar-se sob supervisão ou limitação do site derruba toda a expectativa de liberdade de expressão tão necessária para qualquer atividade humana.

Patrulhar noticias equivale a considerar o internauta incapaz de estabelecer os limites de sua consciência em relação aos acontecimento de sua vida.
Há notícias falsas no Facebook?
Obviamente que sim.

O mundo virtual carrega consigo as mesmas características do mundo imediato, trazendo todas as qualidades e defeitos de seus participantes.
Ao invés de considerar-se o proprietário da expressão de seus usuários, o Facebook e todos os sites de empresas de serviço online e software, deveriam colaborar com as regras que criam os limites éticos no mundo virtual, responsabilizando juridicamente os autores os abusos e crimes virtuais. Não há diferença entre crimes cometidos dentro e fora da internet: são todos crimes ou abusos que podem ser regidos por leis e pelos mesmos tribunais.

Veiculação de notícias falsas nem sempre são feitas maliciosamente, mas os danos acarretados pela má informação podem perigosos. É preciso diferenciar a gravidade na origem. Esse novo sistema de rastreamento do Facebook pode ser muito útil para definir essa origem e para que a Justiça determine se de fato há má fé.
Mas tomar para si a interpretação do que é certo ou errado, entre mais de 1,5 bilhão de usuários (apenas no Brasil são quase cem milhões de pessoas que postam no Facebook) pode ser um risco para a liberdade exigida pelo internauta. Um selo pode ser até admissível, mas o controle das postagens, sua supressão ou a redução de sua circulação, sem notificação ao autor, já envolve questões de ofensa moral e abuso. Do próprio site ao usuário!


quarta-feira, dezembro 07, 2016

O DOMINIO DO JUDICIÁRIO, SEGUNDO A BOCA DO POVO

ÉTICA NOS TRIBUNAIS

Até que ponto um advogado pode atropelar a verdade e o senso de justiça na tarefa de defender seu cliente?
A sequência de julgamentos de casos que movimentam a opinião pública e os novos recursos que permitem ao cidadão acompanhar o teor dos argumentos de promotoria e defesa têm mais do que aspectos positivos, como a conscientização popular de que a sociedade mantém um sistema judiciário funcional.
Demonstra também a necessidade de recuperação da ética nos tribunais pelos defensores.
O maior problema parece ser a falsa impressão de que "vale-tudo" nos tribunais, para acusar ou absolver alguém. O que é apenas uma falha do sistema, que é conhecida popularmente nos embates  ficcionais de bandidos e mocinhos que se enfrentam nas telas de cinema, muito mais do que na literatura, na base de quem pode mais, em uma briga ardilosa que mais do que a busca da verdade e da justiça, parece um jogo.
Essa situação ficou evidente durante o julgamento de Mizael Bispo, acusado de matar Mércia Nakashima. A defesa de Mizael utilizou o que poderia ser considerado umn recurso torpe e artificial  no objetivo de obter atenuante ao confrontar o irmão de Mércia em seu depoimento com uma colocação de que a advogada assassinada seria "garota de programa" porque um dia Mizael visualizou em seu carro um colchonete no banco de trás.
Roger Abdelmassih
O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de cadeia por violentar dezenas de mulheres em seu consultório médico, aproveitando-se de sua vulnerabilidade quando estavam drogradas,  foi abençoado com um habbeas corpus concedidom pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes e fugiu do Brasil, mantendo sua impunidade.                      
Absurdos como estes repetem-se mais do que seria possível admitir. Não são exceção no sistema, são a regra.
O caso de Elise Matsunaga, ré confessa, que matou e esquartejou o marido, mostra outra faceta da disfunção de nossa Justiça : de fato foi considerada culpada pelo júri popular, mas em dois anos poderá gozar da prisão semiaberta.
Crimes com requintes de crueldade e extrema frieza, como de Elize, são beneficiados por penas que não são compatíveis com a ação, graças à artimanhas jurídicas.
A situação tende a piorar, com a politizaçao do judiciário, que segundo denúncias estaria se aproveitando de operações legais para perseguições políticas, que seriam uma nova modalidade da repressão dos anos 60, que sob argumento de combater o comunismo realizava prisões e assassinatos arbitrários.
A população demonstra agora um sentimento que parecia ter ficado no passado, mas que retorna como uma sombra ameaçadora: até que ponto o sistema judiciário brasileiro estaria comprometido com ações que distorcem o verdadeiro sentido das leis?

sábado, setembro 03, 2016

PAÍS EM CRISE DEMOCRÁTICA


Dilma Rousseff, presidenta deposta ´pelo Congresso, anunciou em entrevista coletiva a imprensa internacional que vai recorrer do golpe parlamentar no Supremo Tribunal Federal e fez uma grave advertência a respeito do risco da imprensa comprometida com os grupos políticos, que teria assumido o papel de coadjuvante nas ações que criaram um clima artificial de indignação contra o governo.

Dilma Rousseff citou os quatro grupos de poder da grande mídia, responsáveis pela divulgação de material difamatório,  manipulação da opinião e pela omissão de fatos, com o objetivo de criar um ambiente que "amansaria" a opinião pública para aceitar o golpe parlamentar. A presidenta alertoui a população sobre os riscos de uma midia controlada e considerou que a população brasileira deve avaliat com seriedade a questão.

De fato, depois que o Senado conseguiu o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff, essa mídia controladora, pertencente a grupos que participaram do golpe militar de 1964, e que formam as maiores empresas de comunicação de tv, rádio, jornais e revistas, das últimas décadas, não citou mais a questão. Rousseff "desapareceu" dos noticiários e nenhuma dessas empresas de comunicação noticiou opiniões divergentes ou a grande massa de populares que tem tomado as ruas da maioria dos Estados brasileiros,  contra a decisão de parlamentares, pedindo o "Fora Temer", e exigindo o respeito aos votos e à democracia.

São movimentos que não trazem apenas a participação do Partido dos Trabalhadores, ao qual a presidenta Dilma Rousseff pertence, mas de várias tendências partidárias ou apartidárias, que reclamam da ação impositiva do Congresso, atropelando um governo que foi eleito nas urnas, democraticamente, sob alegações confusas, sem respeito à Constituição Brasileira, em meio a muitos discursos que tentaram legalizar a ação.

POPULAÇÃO MOSTRA INDIGNAÇÃO
NAS RUAS E REDES DA INTERNET

As redes sociais ganharam o espaço de divulgação dos fatos e discussão dos acontecimentos brasileiros, que a grande mídia deixou no vazio.
Enquanto os comentaristas e âncoras da grande midia usam o verbo para justificar a ação dos parlamentares, jornalistas livres, imprensa livre das amarras dos grupos politicos e econômicos e população em geral, divulgam os fatos e debatem livremente a questão.
As redes sociais hoje são consideradas o melhor centro de informações, porque permitem tanto a visão conservadora da grande mídia, como a versão da imprensa livre dos acontecimentos.

Através da internet e das manifestações populares, fica bastante claro que não existe aceitação da deposição do governo e muito menos da figura dos que são fartamente considerados "golpistas", como o vice-presidente que foi alçado à presidência, Michel Temer, e dos parlamentares que criaram a versão do impeachment apresentada no Congresso.

A tentativa de "normalização" criada pelo grupo de Temer no Congresso e no governo, que foi totalmente desfigurado imediatamente após afastamento de Dilma Rousseff  no ultimo mês de maio, parece que não está sendo bem sucedida.

Enquanto o ex-vice-presidente, agora no cargo de presidente do Brasil, que viajou para a China imediatamente após sua acelerada posse no governo (realizada na mesma tarde do dia da aprovação do impeachment, com viagem já  programada para a China horas depois), declara a uma distância de 170 mil km do país, que "são movimentos pequenos" as grandes manifestações de brasileiros contra a sua posse, as redes sociais fervilham de frases indignadas e parlamentares considerados golpistas e a a acusação considerada "contratada" para criar o impeachment são acusados em coro por populares em lugares públicos.

Mas a grande midia, como jornais e tv, não mostram nada disso, limitando-se a mostrar a "agenda do presidente Temer",  tentativa de mostrar "absoluta normalidade" e "aceitação total" do brasileiro que reclama a subtração e a anulação de seu voto nas urnas.


FUTURO INCERTO 


Duas reações opostas marcaram o final da votação no Senado, durante o julgamento de um impeachment da presidenta Dilma Rousseff: de um lado, os 61 senadores que votaram a favor exultaram e urraram, arriscando até mesmo a cantoria de trechos do Hino Nacional e uma bandeira que providencialmente apareceu no plenário, sacudida pelos parlamentares.
De outro, o silêncio inicial nas rede sociais, logo seguido de uma revoada de frases indignadas e lamentos pelo que chamaram de "derrubada da democracia".

O mais interessante é que tanto a população, como os senadores, que tentavam mostrar as provas e argumentos de um impeachment sem base jurídica, enquanto outros já estavam prontos e decididos para votar contra a presidente da República, esperavam o resultado, porque os prórpios senadores, antes do julgamento, afirmavam que "ninguém mudaria de ideia" e que o julgamento presidido pelo STF (o que na opinião de alguns parlamentares, daria ao julgamento um "ar" de legitimidade no resultado) era  "mera formalidade", um ritual que antecederia a aprovação do afastamento definitivo de Dilma Rousseff.

No entanto as provas, contundentes, de um julgamento que foi mostrado ao vivo para a população, conseguiram esclarecer que não havia crime de responsabilidade ou motivo para impeachment. A Defesa da presidente foi considerada absolutamente perfeita e baseada em argumentações jurídicas irrefutáveis.
Por isso a votação dos senadores que representavam os interesses de tirar Rousseff da presidência do país, condenando a ré inocente, chocou o brasileiro.

NAS REDES SOCIAIS, A OPINIAO DOS POPULARES


"Para os amiguinhos que bateram palminhas para o impeachment e continuam acreditando que "primeiro foi a Dilma, depois será o Temer". Sente aqui, no colinho do tio, e escute: Em algum momento, o TSE julgará a ação do PSDB que pede a impugnação do Temer. Tá conseguindo acompanhar? Mas não será este ano, o que levaria a novas eleições. Tá entendendo? Tio explica: porque o PSDB tem divisões internas e não possui um candidato competitivo.Se Temer fizer um governo que agrade ao mercado e não leve a cabo todas as maldades anunciadas, o Meirelles, aquele carequinha que você acha simpático, será o candidato com grandes chances. O PSDB ficaria mais seis anos longe da presidência. Então, coxinha do meu coração, o mais provável é que a ação seja julgada no próximo aninho. Aí, amiguinho, o Congresso elegeria o presidentinho. Tá difícil de entender?" ( textos irônicos em repúdio aos populares que argumentaram que "tem de tirar o PT do poder")

"(...)o comportamento desse senhor não inspira confiança, rs. Ele foi muito "adjetivado", de traidor a oportunista, de covarde diante das vaias, a informante da Cia. O problema é o seguinte: o PSDB sabe disso e aposto que vai dar um chute no traseiro de Temer assim que esse ato não ocasionar novas eleições. Há quem aposte que sera no ano que vem, ou no finalzinho do ano. (....) Sabem como os senadores do PSDB distorcem tudo com a cara de indignados e a prepotência dos costas-quentes. Aécio (Neves, PSDB) quer a todo custo o cargo(...)"

 "(...)A unica alternativa a esse caos nacional seria a ação da Justiça correta, reta e imparcial, do Supremo, para corrigir o golpe parlamentar e restituir o cargo a Dilma Rousseff, usurpada politicamente e não por crime de responsabilidade, como prevê a Constituição."

No Twitter, entre incontáveis críticas aos
parlamentares e à Temer, que assumiu-se
contra a presidenta Dilma Rousseff
"você acha que alguém será eleito sem o apoio do PMDB? Mas não pense que será necessariamente o tio Serra ou o tio Alckmim. O PMDB do tio Renan pode indicar alguém do próprio partido. E se o Temer fizer um péssimo governo, o que acontece? Meu pequeninho, o PSDB não vai querer ficar associado a ele. Quem sobra? Aquele barbudinho que você odeia. Mas fique tranquilo, exatamente por isso a TV Globinho e tio Gilmar farão tudo para que ele seja preso e fique inelegível. Quem sabe assim os tucaninhos conseguirão voltar à presidência em 2018. Mas, meu revoltadinho on-line, para que isso ocorra ele terá que ser apoiado pelo Moreira Franco, pelo Jader Barbalho e, lógico, pelo Tio Renan."

 "(...)Não podemos interpretar o que está acontecendo como retrocesso, porque em cada golpe sofrido por esses interesses, as "forças ocultas", o país se reergueu das ditaduras e do conservadorismo que vendia as suas reservas e foi caminhando em direção à democracia, que ainda não é plena, já que sofremos golpes(...) Mas a politização do brasileiro melhora a cada golpe e hoje até a mídia comprometida, que manipula a informação, está perdendo a credibilidade".





(...)Com a PM nas ruas obrigando o povo a correr e perder o grupo não da pra ter esperança de que esses golpistas saiam do poder, c...., eles usam violência(...) (Há filmagens e fotos que mostram a tropa de choque cortando as manifestações e dispensando as pessoas, que depois de isoladas sofrem agressões)

...)Ouvi sons de bombas, vindos de perto da Praça Roosevelt. Ainda estavam longe. Olhei para o amigo que estava comigo e disse: "Hugo, tenho medo." Vou sair antes que piore. Estávamos no meio de um quarteirão grande. Achei a rua mais perto, que não estava tão pe"rto assim. Eu teria que voltar para trás. Subir uns bons metros da Consolação. Subimos juntos, andando rápido. As pessoas que antes gritavam e andavam descontraídas já reagiam ao som das bombas que vinha de baixo.(...) (relato de uma advogada e professora, que como a maioria dos manifestantes não conhecia a repressão a manifestações, que aconteceu no golpe militar de 64 e retornou agora em São Paulo, sob governo do PSDB)
Indignação popular nas redes, diante do uso do
jornalismo por um tipo de midia de baixa
qualidade de informação, voltada para a
manipulação dos fatos e incentivo à violência.
Mídia sem ética, a favor do golpe parlamentar


E complementa
"Eu quero viver em um País em que a polícia não trate de forma tão diferente duas manifestações de rua. Eu quero viver em um país em que a mesma Constituição que protege a manifestação política dos dias 16-17 de março seja capaz de proteger a manifestação do dia 31 de agosto. Eu quero que meus sentimentos de injustiça e de falta de democracia parem de crescer". (referência a manifestações que pediam fim da corrupção, que ao contrário das manifestações contra o golpe foram foram fartamente mostradas pela grande midia da tv e jornais dos grupos apoiadores do golpe parlamentar como  "descontentes com o governo" (descontentamento utilizado como argumento aos construtores do impeachment) e tiveram ampla liberdade para manifestar-se e utilizar material ofensivo ao governo Dilma Rousseff, sem interferência da policia)





terça-feira, agosto 30, 2016

VERGONHA MIDIATICA E GOLPE

As redes sociais tornaram-se uma opção para quem deseja checar informações da grande midia e pouco a pouco estão substituindo os jornais e televisão para quem deseja boa informação. Isso porque na televisão a maior parte das emissoras e seus jornais repetem a mesma estratégia política de defensores do impeachment no Senado.
A força das redes sociais na informação é tão grande, que a grande midia criou páginas divulgando seu trabalho. No ambiente das redes, profissionais de jornalismo e a imprensa independente disputam a confiança dos internautas na informação. A liberdade na abordagem dos fatos, sem as amarras das redações convencionais da grande mídia, tem alçado para o universo dos leitores novos sites e blogs independentes.

Os comentaristas, âncoras, ate repórteres, poderiam substituir Caiados e Ana Amelias em suas cadeiras no Senado, ja que refinam as mesmas palavras, decerto inseridas em uma espécie de "bíblia do impeachment". Ouvir esses parlamentares pro-impeachment e as emissoras de tv e jornais equivale a uma lavagem cerebral: repete, repete, repete, argumento igual e cansativo.
Esse vergonhoso dominio da comunicação da massa encontra algum alivio nas redes sociais, que tornaram-se propagadoras dos fatos.

E verdade que nem tudo que e divulgado tem procedência. A grande mídia comprometida politicamente e grupos criados por partidos que desejam o poder na construção de um impeachment, também invadem esse espaço.
Mas como tudo tem duas faces, os internautas estão aprendendo a procurar informações e separar o joio do trigo, na profusão de informação, que e muito melhor para esclarecer fatos, do que uma única versão dos comentarista políticos da grande mídia.

Quanto as criticas ao julgamento, parece que o cidadão ainda considera que vale a pena. Por mais que os senadores que criaram o impeachment afirmem que a opinião ja esta feita, e que nada ou nenhum fato vai modificar o voto (o que e obvio, em um processo que não pretende ser justo, na mira do poder) e que se diga que é apenas um ritual, os momentos tem sido de extrema utilidade para a população formar a sua opinião e conhecer os políticos e suas ideias, as artimanhas e a hipocrisia imensa que cerca as ações parlamentares.

Ou seja, o julgamento pode não servir para a justiça que impediria o impeachment e pode de fato caracterizar-se como golpe. Mas serve como uma verdadeira aula política, onde se aprende não apenas como se processa a administração de um pais, como funcionam as instituições e os poderes e ate onde vai a distorção da Constituição Brasileira e das leis, na boca de sofistas profissionais em seu  embate com a lógica democrática.

Na depoimento da presidenta Dilma Rousseff, que permaneceu por mais de 15 horas respondendo perguntas e expondo a sua defesa, houve um avanço monumental na opinião da população, que ainda tinha duvidas de que o Brasil corre o risco de um golpe.

E isso que mostra o estouro dos comentários nas redes, que repetem a lógica citada diversas vezes pela presidenta, diante da repetição dos argumentos pro-impeachment, que desprezam aspectos legais do processo. "Se houver impeachment sem crime de responsabilidade, é golpe!"
Nao adianta ficar repetindo que a terra e quadrada!
Tampouco dizer que ao defender publicamente a sua inocência em um julgamento no Senado, a presidenta Rousseff estaria "compactuando com o golpe".
O golpismo, de fato, tem poucos argumentos e deve apegar-se a sofismas, como carrapatos do poder.

O golpe ainda nao existe. Mas de fato, se não houver respeito a Constituição Brasileira e desprezo as leis que comprovam, exaustivamente, a ausência de Crime de Responsabilidade,  o impeachment será  interpretado como golpe, não pelos senadores ansiosos por ele, mas pela população brasileira e pelo mundo.

Veja também        https://www.youtube.com/watch?v=tQ3OPYcWY30

Este comentário, também internacional, escracha de vez com comentaristas da Globo:
https://www.youtube.com/watch?v=E-VpW3FkDvs

sexta-feira, agosto 26, 2016

PODEMOS DESTITUIR SENADORES?

Caiado e Lindbergh, em campos opostos, o primeiro
desejando o impeachment
e chamando a todo instante o julgamento de "chicana",
 reclamou
 que a defesa pretendia "ganhar tempo", esbravejou
exigindo que se passasse logo para o "sim ou não"
e irritou o  plenário,
conseguindo tumultuar o julgamento presidido pelo ministro do
Supremo, Ricardo Lewandowski, pouco habituado aos vícios
e exageros ofensivos do discurso
parlamentar
No segundo dia do julgamento no Senado, diante de provocações de senadores que desejam o impeachment,  aos defensores da presidente Dilma Rousseff, a transmissão ao vivo foi bruscamente interrompida e um aviso surgiu na tela da TV Senado "A TV Senado interromperá sua transmissão de 26 de agosto até 2 de setembro"...
O que foi isso? 
Rapidamente o aviso foi substituído e sumiu da tela. 
O que aconteceu? 

Esse aviso já estaria programado? Boatos (meros boatos) dão conta de que a estratégia dos senadores que desejam o impeachment da presidente da República seria a de evitar a transmissão ao vivo do julgamento, devido ao fato da defesa de Dilma Rousseff argumentar com maior propriedade do que se esperava, reduzindo o poder de fogo dos senadores da acusação.
Com efeito, acompanhar o julgamento é uma lição de cidadania...e da constatação do despreparo ou do mau hábito do poder de muitos politicos que vagueiam pelo Congresso décadas a fio, sem o crivo popular a suas ações.
Um presidente da República pode ser ofendido em plenário, como os brasileiros constataram em votações na Câmara dos Deputados e no Senado.
Mas senadores que cometem erros não podem ser criticados por seus pares, nem testemunhas de acusação podem ser contestadas, ainda que a lei assim determine. 
Esse "poder paralelo" no Congresso ficou bastante óbvio desde a vitória da presidenta Dilma Rousseff nas urnas, no último pleito. Aécio Neves (PSDB) declarou, publicamente, que "Dilma não conseguiria exercer o seu mandato".
Na Câmara dos deputados também havia a ameaça no ar, ratificada pelo presidente da Casa, hoje afastado por corrupção, Eduardo Cunha.

Há tantas criticas aos  parlamentares brasileiros, principalmente aos senadores que tentam criar condições para o impeachment que é difícil resumir todos os argumentos. Uma realidade parece clara: o brasileiro que acompanha o julgamento no Senado Federal está surpreso com a péssima qualificação de grande parte dos senadores.
O que levanta a dúvida: os senadores que não demonstram qualidade parlamentar e repetem os mesmos argumentos ( os mais criticados nas redes sociais são Ronaldo Caiado, Alvaro Dias, Ana Amelia, Agripino Maia, entre outros) poderiam ser destituidos pelo voto popular?
O que se espera de um parlamentar? 
A defesa da democracia e dos interesses populares. 
A maior parte das criticas diz respeito à ausência de argumentos e excesso de distorção  dos fatos. Ou seja, excesso de retórica da parte dos parlamentares pró-impeachment e poucos argumentos válidos para toda essa convulsão nacional e internacional. 
Esse comportamento irrita, principalmente, as pessoas que tem noções jurídicas e avançam na politização, conseguindo interpretar as manipulações nos discursos.

Vamos a algumas das reclamações publicadas nas redes sociais:

"(...)Eu só sei que é muito diferente o comportamento dessa gente do PSDB e de partidos que querem dar o golpe quando a presidencia é de um Cunha ou um Renam com esse julgamento agora que é presidido por quem conhece lei (referência ao ministro   Ricardo Lewandowski)".

"Tem de colocar pra fora esse Ronaldo Caiado, que inferno (...) e a falsidade desse Alvaro Dias?(...)Quem são os f... que votaram nesse tipo de gente para comandar (sic) o país "

"(...) Tô lavando a alma!!!Esses parlamentares que honram o pais dando uma lição nesses que tentam dar um golpe, c.., tô amando esses que defendem a Dilma, eles falam aquilo que a gente sente e não  tem como falar, c...(...)"

"Me dá nervoso essa palhaçada toda (...) esses caras do impeachment só ficam provocando a defesa da presidênte(..)"

"No entanto é um momento onde todos podemos constatar a grande mediocridade desses parlamentares pró-impeachment e a qualidade ética dos parlamentares que defendem a democracia"

"É muita verdade junta para esse Senado corrupto (sic). Mas senador indeciso para mim não existe, querido. Estamos na autêntica republiqueta das bananas, o mundo sabe que é golpe. (...)"

"(...) Porque quem ainda achava que esses jornais da TV eram imparciais, agora calam a boca, todo mundo viu como esses do impeachment provocaram e ofenderam a defesa da presidente, que na minha opinião é defesa do país e esses sem vergonhas da midia torceram dizendo que quem provocava os senadores do impeachment era defesa, que f...(..) Maravilha esse negócio de ver quem é quem e que b....  de imprensa a gente encontra com esses comentaristas safados e comprados(...)"

Esses comentários se repetem direto nos grupos das redes sociais, Facebook e Twitter.

DIREITO DO CIDADÃO EM DESTITUIR UM SENADOR 

O que começa a ser ouvido com mais frequência, desde que a discussão sobre um impeachment presidencial acirrou-se, é a seguinte pergunta: o cidadão brasileiro pode requerer a destituição de um parlamentar, vereador, deputado ou senador, baseado em incapacitação ou má conduta, ou abuso de sua função?

Em tese, sim. Desde que haja motivo, um simples cidadão pode requerer essa destituição do cargo de um parlamentar. Por exemplo, a questão do decoro parlamentar. 
Se houver comprovação de que um senador ofendeu a presidência da República ou desmoralizou o voto popular em um regime democrático, o processo popular para destituir o cargo de um parlamentar pode ser iniciado.
Isso está previsto na Constituição Brasileira.O parlamentar faltoso, que não comparece e não trabalha, afetando o quorum para votações de interesse do país, também pode dar motivo para ser destituido de seu cargo.
Abuso das prerrogativas asseguradas,percepção de vantagens indecidas, são procedimentos incompatíveis com decoro parlamentar. 
Por que? 
Porque o parlamento é uma instituição de representação popular e o sujeito não pode, ao ocupar uma cadeira no legislativo de qualquer instância, fazer prevalecer a sua vontade, em detrimento da população.


POLITICA E "VINGANÇA MALÉFICA"


O ministro do STF, Ricardo Lewandowski, que preside o julgamento de Dilma Rousseff, não aceitou a pressão de senadores habituados a imperar no plenário, sem respeito à lei.
Claramente, explicou que não iria permitir desordem e agressões, porque neste instante o plenário do Senado está sendo utilizado como Tribunal. E isso deveria ser respeitado.
Fosse pelos senadores da defesa, fossem pelos que desejam o impeachment.
Não é que a mídia dominada já começou a publicar matérias contra o magistrado, para pressiona-lo. E senadores emburrados, pró-impeachment, sairam do plenário, como se fosse assim tão fácil aplicar um golpe de Estado?
A sociedade deve prestar atenção a esses senadores que não respeitam a lei e a ordem, habituados a fazer o que bem entendem, considerando-se protegidos por "forças ocultas".
Poucas horas atrás, José Eduardo Cardozo, ministro da Advocacia Geral da União, havia comentado que a defesa deveria suspender uma das testemunhas, com receio da violência verbal dos senadores da acusação. "A vingança na política é maléfica".(publicado em rede social)

DESPREZO PELA VERDADE

 A prova de que o impeachment é um artificio programado é o fato da ausência dos pro-impeachment no julgamento que está acontecendo no Senado.
A ideia é a seguinte: somos maioria de voto, então não precisamos ouvir nada, se é justo ou não não importa. 
Foi exatamente isso que senadores como Alvaro Dias confirmaram, logo na manhã do segundo dia do julgamento. "É só ritual, já temos o voto decidido" disse ele aos reporteres da TV Senado.
Esta tudo decidido? 
Quanto desrespeito ao país!
Quanto desprezo ao cidadão brasileiro!
Enquanto isso pessoas ilibadas e chamadas para testemunhar, estão cumprindo o seu papel honestamente e explicando exaustivamente porque não houve crime da presidente Dilma Rousseff e que a democracia precisa ser preservada.
A resposta é simples: não é possivel um impeachment por falta de crime. E se houver golpe, quem deve ser penalizado não é a presidenta, mas esse grupo de parlamentares que abusam do seu poder.

quinta-feira, agosto 25, 2016

O BRASIL E O SENADO DA INQUISIÇÃO

Eduardo Cunha, então presidente da Cãmara Federal,
foi o responsável pela abertura do processo de impeachament
contra a presidenta Dilma Rousseff, com base em um
pedido de três pessoas, de teor muito discutível. Qualquer
cidadão pode pedir um impeachment de prefeitos,
governadores, legisladores e presidente da República.
Mas a aceitação é basicamente politica e não necessáriamente
técnica. Como Cunha foi afastado por corrupção, assim
como mais da metade dos legisladores, o impeachment passou
a ser considerado um golpe branco de Estado, inclusive pela
imprensa internacional.
O cidadão brasileiro está embasbacado! O Congresso brasileiro permitiu um sistema semelhante ao da Inquisição, quando os julgamentos tinham como finalidade apenas a fogueira.
Nos tempos da Inquisição, qualquer cidadão que contrariava o poder da época, infiltrado na Igreja, era preso, torturado e queimado, depois de um julgamento puramente "formal". 
É o que acontece no Brasil, com senadores de partidos poderosos em quórum em plenário, mas fracos demais para suportar os votos de uma eleição democrática para a presidência do país.
Os próprios acusadores são claros em seus discursos. "O julgamento é mera formalidade, porque o destino da presidente Dilma já está selado". Estas palavras, com algumas variações, foram repetidas pelos senadores ávidos pelo impeachment.
Quer dizer que não há necessidade de julgamento?
Quer dizer que se existe ou não base para um impeachment, não importa?
Assim era na Inquisição! Ao ser considerado impróprio aos interesses dos grupos de poder, o cidadão já era preso com condenação prévia à fogueira.
Qual intenção se esconde atrás desses grupos de poder no Congresso e fora dele, que criaram um processo estranho e mal articulado, embora estratégicamente aplicado, 
"Este Congresso não tem moral para julgar a presidenta da República". Com esta frase a senadora Gleisi Hoffmann resumiu bem a situação, durante o primeiro dia de julgamento do impeachment no Senado Federal.
A declaração causou furor em plenário. Por que?
Porque a maioria dos senadores que são a favor do impeachment, coincidência ou não, possuem graves denúncias de corrupção. São de vários partidos, mas mais marcadamente do PSDB, Dem e PMDB. 
Este julgamento, de fato, é histórico, porque está provocando uma situação inusitada no Brasil: mostrar que parlamentares podem ser corruptos, frágeis e desrespeitosos à Constituição e à leis. 
Também podemos observar algo muito importante: a qualificação dos nossos legisladores para o cargo que ocupam. 
A defesa de Dilma Rousseff está demonstrando extremo respeito e cuidado com a ética e a lei. Já os defensores do impeachment mostram abertamente o despreparo  dos nossos legisladores, sem argumentos, mas com grande capacidade de distorcer as leis. "Cometeu crime e pronto, acabou" dizem eles.
Imagina se a "justiça" da Inquisição realmente tomar espaço no mundo atual! 
Um aprendizado para o povo brasileiro. Crianças, adolescentes, jovens, adultos, todos deveriam observar o que é a democracia e o que é a tentativa de burlar o Estado de Direito.

DUVIDAS E OBSERVAÇÕES DO CIDADÃO

1- Uma coisa é a denúncia, outra e a aceitação da denúncia, pelo Eduardo Cunha, COM INTERESSES ÓBVIOS DE FREAR AS INVESTIGAÇÕES CONTRA A CORRUPÇÃO.
Os brasileiros leigos, mas não desprovidos de ética e bom senso, perguntam:
"Quer dizer que qualquer governante eleito democraticamente pode ser afastado e impedido de exercer sua função, por aqueles que foram derrotados nas eleições?"

2- Por que motivo a oposição ao governo e aliados do impeachment insistem em repetir, como papagaios, que a defesa estaria "atrasando" o julgamento?
"Estamos aqui há uma hora"
"Estamos aqui há duas horas"
Estamos aqui há três horas"
Parece que de hora em hora alguém pró-impeachment, como Agripino Maia do PSDB, vem reclamar que "estamos caindo na isca da defesa"...Mas um julgamento não é justamente tentar provar a inocência do acusado? 
Votar "sim ou não" não é tribunal de inquisição ou displicência com a verdade?

3- Pergunta importante: Por que os defensores do impeachment não querem que a Defesa da Presidenta Dilma Rousseff tenha amplo direito à palavras?
Qual o interesse de parlamentares que desejam o impeachment em acelerar ao máximo o julgamento e sagrar o presidente interino Michel Temer presidente da República?

4- O próprio presidente interino teria declarado que precisa "representar oficialmente  o país", mas receia as denúncias de corrupção que pesam contra ele e que seriam blindadas, se assumir logo o cargo de presidente da República.

5- Não é pouco ético e revelador que um vice-presidente envolvido com parlamentares ligados ao impeachment, exercendo o cargo de presidente interino, planos futuros, mude todo um ministério  e toda uma politica administrativa e diplomática, antes de um resultado do julgamento da presidente da República?

6- "Ficar aqui alegando que a defesa esta promovendo chicanas, protelação...por favor, não façam isso. A questão de ordem é de conteúdo puramente técnico", alertou  a senadora  Fátima Bezerra .
O julgamento de uma presidente eleita não pode ser tratado com negligência e ser baseado apenas na vontade de algumas dezenas de senadores, que afinal, individualmente, receberam seus cargos com pouquíssimos votos, diante da votação individual de Dilma Roussef, com mais 56 milhões de votos..

7- Se todos concordam que Dilma Rousseff não cometeu crimes, por que alguns senadores pró-impeachment insistem em gritar que ela é criminosa?

8- Por que motivo insistem em abolir a "Questão de Ordem"? Por que insistem que ao trazer elementos que comprovam a ausência de motivos legais para o impeachment, "provocam atraso no julgamento"?
Até que ponto essa tentativa de minimizar a importância de um julgamento fundamental para o  país e seu futuro democrático,  pode realmente confundir o cidasdão que acompanha o fato ou, pelo contrrário, provar que o impeachment foi construido como manobra para tomar o poder?

9- Qual será o custo politico para os parlamentares que insistem em promover um impeachment sem argumentos válidos e de fato determinantes, diante de tantas contradições?

10- Não é estranho e antiético o Senado apoiar aumentos de salário para o Judiciário (que iria para aproximadamente 40 mil reais para os ministros do Supremo, mas que causariam um efeito cascata de grande impacto nas contas publicas) em meio a essa conturbada tentativa de impeachment, acusada de não ter base real para um processo tão importante para o país e sua democracia?


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