Dinheiro na cueca, malas cheia de milhares de cédulas, dinheiro jogado pela janela!
E forma-se a confusão! Os próprios juristas conflitam opiniões a respeito da corrupção, na avaliação do peso da responsabilidade de quem corrompe, de quem é corrompido, ou daqueles que se aproveitam indiretamente da corrupção, omitindo-se à denúncia.
Genericamente, o cidadão resolve fácil essa questão, quando o assunto é corrupção política: "tira esse bando de safados do poder", ou "Sinto dor de barriga quando vejo o quanto um puto desses (sic) custa aos cofres públicos" .
Há ainda aqueles que escrevem nas redes sociais o desabafo de decepções da vida. "São esses caras que acabam com o trabalhador" ou anunciam um futuro sem corruptos: "Vamos acabar com festa desses caras!"
Em tantas manifestações indignadas ou revoltadas, há um fato incontestável: as pessoas estão direcionando todas as decepções com o sistema, para a corrupção, porque no meio politico e administrativo de um país, esse tipo de crime rebate duras consequências para a sociedade.
Por esse motivo, o desabafo atinge todos os setores que comandam a vida do cidadão. No entanto quem sustenta esse sistema de corrupção nos governos municipais, estaduais e lota o Congresso de figuras que trabalham em benefício próprio, é o próprio eleitor!
Isso nunca foi segredo. Tanto é que a população falava a rodo no tal "voto de cabresto" que permitia aos grandes latifundiários dominar a politica a partir da área rural, onde a população estava concentrada.
Havia fraudes, barganha, violência e compra de votos.
O problema é que isso continuou décadas e décadas adiante, até os dias de hoje.
Veio a política do "Café com Leite", onde São Paulo e Minas Gerais eram soberanos na eleição de todos os presidente da República, até 1930.
Depois disso houve uma mudança...mas nem tanto.
Com o golpe de 1964 e a ditadura aberta (antes era fechada...), o sistema manteve alta a corrupção, que foi exercida sem freios.
A população sabia que isso acontecia. Mas as denúncias de corrupção eram encaradas com a benevolência da mídia, sustentada por esse esquema.
O "rouba, mas faz ", tornou-se popular, diante das denúncias de superfaturamento de obras generalizado, em municípios, estados e na esfera federal, mas ganhou uma "face", a do governador Paulo Salim Maluf.
Quem iria mexer no vespeiro da corrupção politica?
Quem iria conseguir apoio e força para aparelhar investigações sérias, quando governos seguidos enfraqueceram a Polícia Federal e fortaleceram as relações comprometidas de um Congresso que perdeu a principal função de representação de interesse popular, para curvar-se a interesses privados, através de lobbies poderosos?
O que estamos enfrentando hoje não é maior corrupção política. Muito pelo contrário, é um início de combate à corrupção descarada e enraizada.
Pela primeira vez na história do Brasil, a corrupção está sendo discutida, ao invés de ficar em algum espaço perdido na consciência popular
I
Independente de qualquer ação que o sistema corrompido faça, no sentido de reduzir a caça aos corrompidos ou corruptores, criando inclusive falsas denúncias para encobrir a verdadeira corrupção ou ridicularizando a ação da Policia Federal, uma nova mentalidade popular começou a vencer a antiga inércia sobre crimes políticos.
Estamos evoluindo, afinal! (Mirna Monteiro)
Veja também: http://leiamirna.blogspot.com.br/2011/03/cerebros-corruptos.html








