O crime cometido por Jair Bolsonaro é de fato muito grave. Digamos que se ele fosse um sujeito comum, estaria na penitenciária e qualquer problema de saúde seria tratado dentro das condições de outros 900 mil presidiários que assim como o ele, foram condenados por crimes graves ou menos graves.
Muito bem, mas Bolsonaro, como ex-presidente, apesar de seus crimes com provas concretas, mereceu deferências especiais. Não foi encaminhado para uma prisão comum, mas recebeu o benefício da prisão domiciliar. Acabou cometendo várias infrações, até chegar ao absurdo de tentar corromper a tornozeleira eletrônica com uma solda.
Ainda assim foi transferido para a chamada Papudinha, uma ala do Complexo Penitenciário da Papuda, com acomodações de dar inveja à maioria dos trabalhadores honestos no Brasil e em outros paises do mundo: 64 metros quadrados de uso exclusivo dele, com quarto, sala, banheiro, cozinha e área externa para sol e exercícios, com direito a equipamento de fisioterapia.
A mordomia do criminoso Bolsonaro ainda mantinha acesso a atendimento médico 24 horas e outras regalias.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão em novembro do ano passado. Ou seja, em poucos meses causou uma balburdia total. Na metade de janeiro ultimo foi transferido para a Papudinha, mas continuou causando. Sempre reclamando de alguma doença. Um laudo da PF mostrou que teria hipertensão (a maioria dos brasileiros jovens ou velhos sofrem disso), apneia de sono (extremamente comum entre pessoas com mais de 60 anos) obesidade clínica (como tantas outras pessoas no mundo), aterosclerose ( se exames forem realizados em adultos, essa pode ser considerada uma doença comum, que o diga a quantidade de medicamentos consumida no país) e refluxo (é mais fácil achar quem não tem refluxo depois dos 70 anos). Além disso consta sequelas abdominais, que dizem ser de uma facada, contestada por muitos, sugerindo sequela de câncer.
Em resumo, ficar na Papudinha foi uma grande vantagem para Bolsonaro como presidiário, já que tanto as condições do ambiente como o acompanhamento médico 24 horas são um luxo que a população honesta, que nunca cometeu crime algum, não tem...
Mas então qual o motivo de transferir esse presidiário para a prisão domiciliar?
A resposta é: política! Estamos em ano eleitoral!
Mas aí você pergunta: mas como assim?
Há duas questões aqui. Uma delas é o desespero da extrema direita, de partidos como PL, Novo, União Brasil, entre outros partidos que dominam o Congresso hoje (que aliás recolheu cerca de 170 assinaturas para transferência de Bolsonaro para domiciliar), que não têm base nenhuma de campanha e dependem de Bolsonaro, seja através do filho Flávio, seja da esposa Michelle, para eleitores que apoiam o sistema do capital ou desconhecem fatos e seguem a "evangelização política", para tentar reaver o poder.
Outra questão, do outro lado da moeda: há quem acredite que se Bolsonaro, que parece ter a saúde toda comprometida (apesar de poder viver muito mais, como tantos idosos nessa condição) for para sua acomodação na Papudinha, e piorar, apesar do conforto do ambiente, os partidos de direita e extrema direita vão usar esse fato para torna-lo uma espécie de mártir (sei que é absurdo, mas nessa extrema direita tem de tudo) e conseguir votos para retomar o poder, com apoio de trumpistas e sionistas.
Ora, se assim for, mais um motivo para manter a decisão da Justiça. Para tornar um criminoso um "mártir", a extrema direita estará abrindo a porteira da tolerância ao crime, seja ele qual for. As fortunas pagas a advogados sem ética pelos criminosos milionários vão atropelar as centenas de milhares de presidiários com crimes muito menos graves. E se manter a Justiça é risco para a democracia, a extrema direita, com seu poder de centralizar decisões, já sai ganhando antes mesmo do pleito deste ano!
Não existe nenhuma certeza de que Bolsonaro estará mais saudável em uma prisão domiciliar do que na Papudinha. Pelo contrário, poderá ter mais dor de cabeça em casa, onde filho e esposa disputam a preferência para candidatura à presidência da República, sob pressão de partidos como PL.
Portanto a decisão deverá ser exclusivamente técnica, dentro das alternativas oferecidas pela lei. E se por um acaso realmente for o caso de uma prisão domiciliar para um criminoso que corrompeu a tornozeleira e não conseguiu permanecer 3 meses detido em acomodações especiais, que haja rigorosidade para evitar que domicílio vire comitê eleitoral!
Sabe por que? Porque a extrema direita não tem ética, respeito à leis, nem compromisso com a verdade. Quer poder! E sem dúvida vão usar a figura de Bolsonaro como a sua única bandeira, como vampiros secando o que resta da saúde desse presidiário para conseguir eleitorado entre as camadas menos informadas da população, que tenta saber o que acontece nas mentiras e distorções veiculadas em postagens nas redes sociais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
A sua opinião é importante: comente, critique, coloque suas dúvidas ou indique assuntos que gostaria de ver comentados ou articulados em crônicas!Clique duas vezes na postagem para garantir o envio de seu comentário.