Sem água, ninguém sobrevive no planeta. O corpo humano possui em média 60 por cento de água, assim como a Terra onde 70 por cento da superfície do planeta é coberta de água. Água é vida, a falta de água é morte!
Agora vem a pergunta: como estamos protegendo a nossa água?
Vamos muito mal!
O domínio comercial da agua não é novo. Para se ter uma ideia, a venda da gestão no tratamento e distribuição da água para a população começou logo após o golpe de 1964, quando os municípios transformaram esse serviço público em autarquias, ou seja, embora mantendo a responsabilidade pública, a gestão passou a ser privada. Mas na prática as autarquias gerenciam as estações de tratamento, a distribuição da água e as cobranças desse serviço como qualquer empresa voltada para o lucro.
Ao longo de décadas esse tipo de gestão praticamente sufocou o controle dos municípios sobre lucros dos serviços municipais de água e esgoto. Ao longo de décadas a troca e manutenção das redes de esgoto e água foi negligenciada. Tanto que as Estações de Tratamento muito mal gerenciadas não cobrem toda a necessidade de abastecimento desde sempre. E a Sabesp distribuiu parte da água tratada a outros munícipios, o que leva negligência no atendimento da Capital.
Mas as estratégias para cobrança desse serviço foram aprimoradas...
A privatização realizada pelo governo Tarcísio de Freitas com a Sabesp - que não serve apenas ao municipio de São Paulo, mas a muitos outros de forma parcial, pretende o domínio total da gestão das estações de tratamento e distribuição da água nos municípios.
É a "pá de cal" do controle público sobre a comercialização da água, que se transforma em um produto qualquer, como uma TV a cabo ou um sapato.
E a água, que corria nos rios e nascentes e possibilitava a vida de todos, passará a ser controlada por interesses privados. Nas grandes cidades, onde não há água sem custo, o cidadão que não pagar a conta, por mais exploradora que seja a tarifa e mais cruel o sistema de cobrança, os riscos de uma saúde pública falida são imprevisíveis.
O risco da privatização da água no Brasil não se resume à tratamento e distribuição, como no caso da Sabesp. É preciso pensar nos riscos do uso da água para IA, porque a operação de servidores em data centers gera intenso calor e exige sistemas de resfriamento com gasto de milhões de litros de água potável, além da água usada para geração da eletricidade. Outra grande ameaça é o domínio de aquíferos e fontes de água mineral, nas mãos da iniciativa privada.
Assim, o domínio político da água precisa ser encarado com maior seriedade pelos governos de países que ainda mantém a sua soberania, como o Brasil.
Há décadas as nascentes e aquíferos vem sendo invadidos pela iniciativa privada vinda de outros países, como EUA e Israel. Fontes de água pura e medicinal deixaram de ser públicas para a sede da população e foram engarrafadas para o lucro.
Cada vez que o país retoma as rédeas da democracia e procura defender a vida da sua população, sobrevém golpes de Estado ou interferência externa para manter a exploração das riquezas do Brasil.
Mas a água é mais do que qualquer outra riqueza, pois o domínio de água potável ou mineral é a forma mais poderosa de controle e destruição da vida! (Mirna Monteiro)
